O PCP critica a decisão de agendar para dia 18 o início do debate parlamentar sobre a reforma laboral, considerando que a data escolhida pelo Governo e pela maioria parlamentar procura reduzir a atenção pública sobre uma matéria que os comunistas classificam como um dos mais graves ataques aos direitos dos trabalhadores das últimas décadas.

A discussão da proposta de revisão da legislação laboral arranca na Assembleia da República no dia seguinte ao primeiro jogo de Portugal no Campeonato do Mundo de futebol, coincidência que o PCP considera tudo menos inocente. Os comunistas defendem que a reforma em causa terá um impacto profundo nas relações de trabalho, na contratação coletiva, nos horários laborais e na precariedade, justificando um amplo debate público e mediático.

Paulo Raimundo acusa o Executivo de tentar empurrar para segundo plano uma discussão que afeta milhões de trabalhadores: "Quando está em causa uma alteração desta dimensão à legislação laboral, aquilo que se exige é transparência e debate público. Marcar esta discussão para o dia seguinte ao primeiro jogo de Portugal no Mundial não ajuda à participação nem ao esclarecimento dos trabalhadores."

O secretário-geral do PCP reitera ainda a oposição frontal do partido ao chamado pacote laboral do Governo, que considera favorecer os interesses do grande patronato. "O País precisa de mais direitos, mais estabilidade e melhores salários. O que esta proposta traz é mais precariedade, mais desregulação dos horários e mais fragilidade para quem trabalha."

O líder comunista tem vindo a afirmar que a iniciativa governamental "confirma tudo o que era negativo" nas versões anteriormente apresentadas e representa "um retrocesso" nos direitos laborais.

A reforma laboral 'Trabalho XXI', aprovada em Conselho de Ministros e entregue no Parlamento em maio, recorde-se, é apresentada pelo Governo como uma modernização das regras do mercado de trabalho, mas enfrenta forte contestação sindical e da oposição à esquerda.