A Pharol, herdeira da antiga PT SGPS, prepara-se para abrir um novo ciclo da sua história. Depois de vários anos marcada sobretudo pela gestão dos ativos remanescentes da Portugal Telecom e pela recuperação do crédito sobre a Rioforte, avaliado inicialmente em cerca de 900 milhões de euros, a cotada está a assistir a uma reorganização acionista e de governação que poderá anteceder uma estratégia mais ativa de investimento.
O primeiro sinal surgiu no início de julho, quando a Dualis Capital revelou ter adquirido 5,4% do capital da Pharol, correspondente a 48,4 milhões de ações, num investimento estimado em cerca de quatro milhões de euros. A sociedade de investimento, detida em partes iguais por Eduardo Sardo e pelos empresários nortenhos Gaspar Ferreira da Silva e Joaquim Silva, tornou-se imediatamente o segundo maior acionista da empresa, atrás apenas do fundo norte-americano Davidson Kempner, que, através da Tavrion PT04, controla 19,56% dos direitos de voto.
Poucas semanas depois, os acionistas aprovaram a eleição do economista João Moreira Rato para presidente do Conselho de Administração, sucedendo a Luís Palha da Silva, que liderou a empresa durante 11 anos. Antigo presidente do IGCP, presidente do Instituto Português de Corporate Governance, administrador não executivo da Caixa Geral de Depósitos – aguardando ainda a autorização formal do BCE para acumulação de funções – e consultor sénior da Morgan Stanley, Moreira Rato assume um mandato até ao final de 2028, acompanhado por Bernardo Amado, Rafaela Andrade Reis Figueira e João Ferreira Marques.
As mudanças alimentam a expectativa de que a Pharol possa abandonar a postura essencialmente defensiva dos últimos anos. A empresa dispõe de uma base patrimonial próxima dos 90 milhões de euros, incluindo uma posição financeira confortável em caixa e aplicações financeiras, reforçada pela valorização dos créditos fiscais e pelo processo de recuperação associado à insolvência da Rioforte.
No mercado cresce a convicção de que a convergência entre um investidor especializado em reestruturações, como a Davidson Kempner, e um novo acionista com forte experiência nos setores imobiliário e da construção poderá abrir caminho a uma política de investimento mais dinâmica. Entre os cenários admitidos está a entrada em empresas tecnológicas, telecomunicações, projetos em fase inicial com elevado potencial de crescimento ou ativos em processo de reestruturação, aproveitando oportunidades de mercado que permitam criar valor para os acionistas.
Depois de anos centrada na preservação do património e na recuperação de ativos, a antiga PT SGPS parece, assim, preparar-se para voltar a desempenhar um papel de investidor ativo. Se essa mudança estratégica vier efetivamente a concretizar-se, poderá representar a mais profunda transformação da Pharol desde o colapso do universo Espírito Santo e o fim da Portugal Telecom.

















