As declarações do presidente do Instituto, da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) sobre a disponibilidade dos jovens para fazer sacrifícios na aquisição de casa própria desencadearam uma onda de críticas e obrigaram o próprio governo a reagir, com o ministro da tutela, Miguel Pinto Luz, a classificar as declarações de Benjamim Pereira como “absolutamente infelizes”, e a exigir-lhe publicamente explicações.
“Eu não sei se a sociedade atual está disponível para o nível de sacrifício que os nossos pais e os nossos avós fizeram para ter uma casa”, afirmou, quinta-feira, em Vila Nova de Gaia, quando confrontado com os protestos contra a crise habitacional.
O responsável do IHRU recordou que os avós emigraram para o Brasil e para a Argentina e que o pai passou 20 anos no estrangeiro para conseguir comprar casa. Embora tenha esclarecido que não estava a defender a emigração dos jovens, insistiu na necessidade de um compromisso coletivo, apontando o exemplo das cooperativas habitacionais.
As palavras provocaram indignação, sobretudo num contexto de preços elevados da habitação e salários que dificultam a autonomia das novas gerações, e colocou novamente no centro do debate uma questão essencial: até onde pode ser exigido esforço individual aos jovens quando o acesso à habitação se tornou um dos maiores problemas estruturais do país?
Entretanto, o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, em declarações à SIC Notícias, resolveu desvalorizar a polémica, afirmando não encontrar qualquer problema nas palavras do responsável.

















