A insólita ausência de Luís Montenegro da reunião do Conselho de Ministros desta quinta-feira, 22 de Outubro, causou bastante estranheza nos meios políticos, e obrigou o Governo a explicar por que razão o primeiro-ministro preferiu deslocar-se ao Norte do país em vez de presidir à reunião semanal do Executivo, que acabou por ser presidida pelo número dois do executivo, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel.

Questionado pelos jornalistas, o ministro da Presidência e porta-voz do Governo, António Leitão Amaro, justificou a ausência com “razões de agenda”, esclarecendo que Montenegro esteve numa escola de Lourosa, no distrito de Aveiro, numa visita não anunciada e sem comunicação social, ou seja, à revelia da agenda.

Leitão Amaro garantiu, contudo, que “toda a ação do Governo é coordenada a toda a hora e minuto” pelo primeiro-ministro, incluindo os acontecimentos políticos mais recentes.

Quanto à opção de visitar uma escola longe das câmaras, o porta-voz explicou que Montenegro privilegia, por vezes, contactos mais reservados com os cidadãos, por considerar que estes se sentem mais confortáveis e “falam mais à vontade” sem jornalistas presentes.

O episódio acontece numa semana marcada pela contestação à política de habitação do Governo e pelas dificuldades de entendimento parlamentar, tornando politicamente mais sensível uma ausência que o Executivo apresenta como uma simples opção de agenda.