O presidente do Chega, André Ventura, criticou a decisão de Pedro Passos Coelho de falar publicamente sobre o aborto e defendeu que a direita tem de ser estratégica na escolha dos temas, para não dar vantagem à esquerda.
Ventura disse ter "grande admiração" pelo antigo primeiro-ministro, mas questionou se "será o momento" de pôr o aborto na discussão pública.
"Será que num momento de crise em que as pessoas estão a viver mal, com problemas, não é isto que a esquerda quer que a gente faça? Nós temos que ser estratégicos do ponto de vista daquilo que queremos para o futuro de Portugal", afirmou.
Na segunda-feira, dia 19, Passos Coelho tinha sido o orador convidado da sessão de abertura de um colóquio sobre o aborto em Portugal, promovido pela Federação Portuguesa pela Vida, na Assembleia da República.
Para o líder do Chega, os portugueses que estão "a sofrer na pele o aumento do custo de vida" e querem "um país diferente" "estão-se nas tintas para o aborto" e querem "é ver a sua vida resolvida".
"Isto quer dizer que o assunto não tem importância? Não, quer dizer que nós temos que ter estratégia para perceber quando e como discutir estes assuntos", sublinhou. Ventura recusou deixar à esquerda temas como o salário mínimo, as portagens ou a idade da reforma.
O líder do Chega rejeitou, no entanto, que isso signifique uma aproximação à esquerda. "Eu não aceitarei fazer o jogo que a esquerda quer que nós façamos, que é tornar-nos uma elite minoritária que discute coisas entre nós", disse, defendendo que o partido tem de ser "inteligente na forma como quer construir o país nos próximos anos".
















