A menos de dois meses das eleições presidenciais brasileiras, a Polícia Federal (PF) tornou-se inesperadamente uma das protagonistas da disputa entre Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. Investigações envolvendo figuras próximas dos principais candidatos, políticos de vários partidos e até membros do Supremo Tribunal Federal estão a alimentar suspeitas de interferência política e podem influenciar uma eleição que se anuncia extremamente renhida.
O verdadeiro ‘fogo cruzado’ em torno da PF, tem como principais casos sob investigação, o escândalo financeiro do Banco Master, as suspeitas relacionadas com o INSS e alegados episódios de tráfico de influência. O senador Jaques Wagner, figura próxima de Lula, chegou a ser alvo de uma operação relacionada com o Master, enquanto Fábio Luís da Silva, filho mais velho do Presidente, aparece num inquérito sobre eventual tráfico de influência. Do outro lado, Flávio Bolsonaro receia que novas revelações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro possam atingir a sua campanha, nomeadamente uma suposta participação numa orgia.
Entretanto, a tensão estendeu-se ao Supremo. O ministro André Mendonça, relator de processos sensíveis, entrou em rota de colisão com responsáveis da Polícia Federal, enquanto Alexandre de Moraes pediu investigações para apurar eventuais conflitos de interesses.
Com os independentes a poderem decidir o resultado eleitoral, qualquer operação, depoimento ou fuga de informação poderá alterar uma corrida já marcada pela polarização. No Brasil de 2026, a batalha pela Presidência deixou de se travar apenas nas urnas, também passa pelos corredores da Polícia Federal.

















