A carteira dos brasileiros entrou definitivamente na campanha presidencial. Flávio Bolsonaro e outros dirigentes da direita estão a transformar os preços dos alimentos numa das principais armas contra Lula, explorando uma percepção que as sondagens confirmam: 68% dos eleitores consideram que os preços nos supermercados subiram no último mês.
Vídeos publicados nas redes sociais mostram produtos como ovos e carne e procuram transmitir uma mensagem simples: o rendimento pode ter aumentado, mas o dinheiro compra menos. Flávio Bolsonaro tem insistido precisamente na perda de poder de compra, recuperando uma estratégia recorrente nas campanhas brasileiras — transformar o supermercado num termómetro político.
A oposição explora também a chamada “reduflação”: produtos que mantêm aproximadamente o mesmo preço mas passam a ser vendidos em embalagens menores. Economistas lembram, porém, que o fenómeno não nasceu com Lula nem é exclusivamente brasileiro, tendo sido registado durante governos anteriores.
Ainda assim, eleitoralmente, a explicação económica pode valer menos do que a percepção quotidiana. Quando o eleitor chega à caixa do supermercado e sente que leva menos produtos para casa, inflação deixa de ser uma estatística. Passa a ser política.

















