A Rússia está preparada para utilizar “todo o seu arsenal” caso a Polónia entre num conflito militar com Moscovo, assumiu Nikolai Patrushev, de 75 anos, conselheiro do presidente Vladimir Putin (73).
O responsável russo fez a declaração em resposta às recentes palavras do ministro dos Negócios Estrangeiros polaco, Radosław Sikorski (63), e acusou o governante de subestimar as capacidades militares da Rússia: “Se a Polónia se envolver em ações militares contra a Rússia, o nosso país mobilizará todo o seu arsenal de forças e recursos. E o Estado polaco deixará de existir no espaço de dois ou três dias.”
Segundo o conselheiro de Putin, a avaliação feita por Sikorski sobre o equilíbrio militar entre os dois países não corresponde à realidade. “O chefe da diplomacia polaca está claramente a fazer uma avaliação amadora do poderio militar do nosso país”, acusou, acrescentando que as Forças Armadas russas ainda não terão utilizado todo o seu potencial na guerra contra a Ucrânia.
As declarações surgem num momento de crescente preocupação em Varsóvia. Na segunda-feira, dia 14, Sikorski afirmou que a Polónia estava a entrar numa “zona cinzenta de crise” e defendeu a adoção de novas medidas perante o agravamento da situação de segurança.
A tensão, recorde-se, aumentou também depois de ataques russos realizados durante o fim de semana em território ucraniano, alguns deles próximos da fronteira polaca.
No domingo, 13, um drone russo atingiu uma locomotiva de um comboio de passageiros que fazia a ligação entre Kiev e Varsóvia. O incidente ocorreu a cerca de dois quilómetros da fronteira com a Polónia.
As autoridades polacas indicaram também que outro drone atingiu uma estação de abastecimento de combustível nas proximidades de uma passagem fronteiriça, embora ainda do lado ucraniano.
Na sequência dos ataques, o primeiro-ministro polaco, Donald Tusk (69), convocou uma reunião de emergência. O chefe do governo alertou para a possibilidade de Moscovo intensificar as operações militares e admitiu que uma eventual escalada possa vir a ter consequências para o território polaco.
A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas (49), considerou entretanto que o ataque ao comboio tinha também um objetivo político: “assustar os aliados” da Ucrânia e levá-los a reduzir o apoio a Kyiv.

















