Paulo Rangel, de 58 anos, admitiu que o acordo que regula a utilização da Base das Lajes pelos Estados Unidos deverá ser revisto, mas considerou que essa discussão só deve avançar depois de ultrapassada a atual crise no Médio Oriente. O ministro dos Negócios Estrangeiros defendeu que não é o momento adequado para renegociar um entendimento firmado há cerca de três décadas, numa altura marcada pela instabilidade internacional.
Em entrevista à RTP e à Antena 1, o chefe da diplomacia portuguesa argumentou que o contexto global mudou profundamente desde a assinatura do acordo. "Passaram 30 anos sobre o acordo que foi feito", afirmou, acrescentando que "é natural que haja muitos ajustamentos a fazer". Ainda assim, frisou que qualquer reflexão sobre o futuro das Lajes deverá acontecer apenas quando o conflito na região estiver resolvido. "Quando se dissipar e se resolver este conflito, essa seria uma altura para começar a pensar nisso", sustentou.
Questionado sobre o papel da base açoriana nas operações militares norte-americanas relacionadas com o Irão, Rangel rejeitou que Portugal tenha servido de plataforma para o conflito e recordou que a utilização das Lajes está sujeita a condições definidas por Lisboa. Segundo explicou, qualquer ação tem de respeitar critérios como a necessidade, a proporcionalidade e a proteção de civis.
O ministro enquadrou ainda esta discussão num cenário de transformação profunda da ordem internacional, apontando exemplos como as tensões no Médio Oriente, a situação na Venezuela, a questão da Gronelândia e os desafios no Indo-Pacífico. Considerou que a relação entre a Europa e os Estados Unidos atravessa uma fase de maior distanciamento, embora tenha destacado o reforço da cooperação europeia em matéria de defesa e a aproximação de parceiros como o Canadá e o Reino Unido.

















