Augusto Santos Silva, de 70 anos, acusou o Governo de Luís Montenegro de instrumentalizar a Polícia para conquistar votos ao Chega e questionou a permanência de Luís Neves à frente do Ministério da Administração Interna. As duras críticas foram feitas esta segunda-feira, dia 2, no Porto, após a última aula do antigo presidente da Assembleia da República na Faculdade de Economia da Universidade do Porto.

"Acho absolutamente indigno que, na minha cidade do Porto, que é a cidade da liberdade, a Polícia tenha infiltrado polícias à paisana armados no meio de manifestantes. É inaceitável", afirmou.

O socialista questionou ainda a atuação do Executivo AD: "A que título é que o Governo instrumentaliza tão brutalmente a Polícia? Para quê? Para ganhar votos ao Chega? Só vai perder!"

Santos Silva considerou incompreensível que Luís Neves continue no cargo depois dos incidentes nas manifestações pela habitação. "É sinal de que estão inseguros, que sentem que têm rabos-de-palha, que querem provocar em vez de resolver", acusou, sem apresentar provas de uma estratégia governamental de provocação.

Apesar das críticas, defendeu a continuidade do Executivo, rejeitando eleições antecipadas: "É muito importante que este Governo continue. Não porque aprecie demasiado, mas porque o País não pode andar a fazer eleições todos os anos."

O antigo ministro justificou assim a abstenção do PS no Orçamento do Estado, mas deixou outra crítica: "O que não vejo é o Governo a governar."

Na habitação, Santos Silva defendeu medidas para colocar casas habitáveis no mercado, combater a especulação imobiliária e reforçar o parque público.