O Chega e o PS foram determinantes na aprovação da maioria das iniciativas legislativas do Governo de Luís Montenegro desde o início da atual legislatura.

Segundo uma análise publicada esta sexta-feira, dia 26, pelo Expresso, 61% das leis do Executivo que já obtiveram luz verde no Parlamento foram aprovadas com o voto favorável ou a abstenção de, pelo menos, um destes dois partidos, evidenciando que a governação da AD depende de entendimentos variáveis com as duas maiores forças da oposição.

Sem maioria absoluta, o Governo tem recorrido a negociações caso a caso para garantir a aprovação dos seus diplomas. Em matérias como a fiscalidade, justiça, administração interna ou imigração, o sentido de voto do PS ou do Chega revelou-se decisivo para assegurar uma maioria parlamentar.

Em vários casos, os dois partidos também coincidiram na viabilização de propostas do Executivo, embora mantendo discursos políticos distintos sobre o conteúdo das medidas. Os números mostram um Parlamento mais fragmentado e um novo padrão de funcionamento legislativo, em que a tradicional lógica de entendimento entre PSD e PS deu lugar a geometrias variáveis.

O cenário confirma a necessidade de negociação permanente por parte do Governo minoritário, que tem conseguido aprovar a maioria das suas iniciativas sem estabelecer acordos formais de incidência parlamentar.

A análise surge numa altura em que o Executivo prepara novos dossiês sensíveis, como alterações às leis da imigração e da nacionalidade, áreas em que volta a depender da capacidade de reunir maiorias parlamentares.