As famílias portuguesas devem ter em casa água, comida não perecível e outros bens essenciais para aguentar pelo menos três dias numa emergência. A recomendação da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) ganha nova atualidade numa altura em que vários governos europeus insistem na mesma mensagem. O Japão juntou-se ao apelo esta segunda-feira, dia 2.
A lista portuguesa inclui água e comida para 72 horas, lanterna, pilhas, rádio portátil, estojo de primeiros socorros, medicação habitual, roupa, mantas, cópias de documentos e dinheiro em numerário. O rádio e as notas têm uma razão simples: se as redes e os pagamentos eletrónicos falharem, o telemóvel e o cartão deixam de servir.
Portugal já passou por isso. O apagão de abril de 2025 deixou o país às escuras durante cerca de dez horas e, no início deste ano, as tempestades voltaram a cortar energia e acessos em várias zonas.
O MAI alerta que as primeiras 72 horas correspondem ao período inicial em que os serviços de socorro organizam a resposta. Uma família autónoma durante esse tempo liberta meios para quem mais precisa. A ANEPC acrescenta que as famílias devem combinar pontos de encontro e definir quem recolhe as crianças se não houver rede móvel.
Quem preferir comprar parte do material já reunido encontra na Cruz Vermelha Portuguesa um kit de 45 euros, com rádio, lanterna, apito e primeiros socorros. Não dispensa as compras no supermercado, porque não traz comida e a garrafa tem apenas 600 mililitros. Para comparação, o Reino Unido aconselha nove litros de água potável por pessoa para os três dias.
A recomendação britânica é a que tem feito mais barulho. A campanha Be Ready arrancou a 22 de outubro, vai durar três anos e provocou uma corrida às compras: a cadeia Iceland registou uma subida de 40% nas vendas de enlatados num fim de semana. Londres garante que não responde a nenhuma ameaça iminente. Ainda assim, o ministro da Defesa, Wes Streeting, escreveu no Telegraph, numa mensagem separada da campanha, que o país tem pouco mais de mil dias para estar pronto a combater ao lado dos aliados.
No continente, os Países Baixos lançaram a 12 de outubro uma nova fase da campanha Denk Vooruit e o Luxemburgo começou a 14 de outubro a distribuir cerca de 300 mil guias. A Bélgica publicou a 1 de outubro um guia de 28 páginas em que a palavra “guerra” não aparece, e a Irlanda começou em setembro a enviar cerca de 2,2 milhões de brochuras. A Noruega pede mais: uma semana de autonomia e 20 litros de água por pessoa.
Fora da Europa, a nova agência japonesa de gestão de catástrofes, criada esta segunda-feira, pediu à população reservas de água e comida para pelo menos três dias, de preferência uma semana.
A referência europeia das 72 horas vem da Estratégia de Preparação da União Europeia, apresentada em março de 2025, que inclui entre os cenários catástrofes naturais, pandemias e ataques militares.

















