Várias personalidades que integraram a Comissão de Honra da candidatura presidencial de António José Seguro exigem que o chefe de Estado quebre o silêncio sobre as cargas policiais contra manifestantes pelo direito à habitação, em Lisboa e no Porto, que provocaram dezenas de feridos e detenções.
Numa carta enviada ao Palácio de Belém, os subscritores, entre os quais Pedro Abrunhosa, Capicua, Valter Hugo Mãe, Helena Roseta, Pilar del Río e o advogado Ricardo Sá Fernandes, apelam a uma intervenção pública do Presidente da República, condenando aquilo que classificam como uma atuação policial "desnecessária e desproporcional".
"O seu silêncio, neste momento, Exmo. Sr. Presidente da República, não acalma a violência. Só a sua palavra pode repor a tranquilidade pública e a primazia do respeito pelos direitos cívicos dos cidadãos", escrevem.
Os signatários contestam ainda a utilização de legislação anterior à Constituição para justificar a dispersão dos protestos, considerando que a situação coloca em causa direitos fundamentais.
"Num Estado de Direito democrático, nunca pode ser admissível que, numa circunstância em que não há violência nas ruas, seja a polícia a iniciá-la", defendem.
A pressão sobre Seguro estende-se também ao PS. A eurodeputada Ana Catarina Mendes questionou publicamente: "Onde está o Presidente da República?", enquanto Alexandra Leitão defendeu a necessidade de uma intervenção presidencial.
Já António Filipe, candidato do PCP a Belém, foi lacónico, ou irónico: "Sobre as boas almas que lamentam o silêncio de de AJSeguro mas votaram nele na primeira volta, não estou em condições de me pronunciar."
O chefe de Estado convocou os partidos para audiências sobre coesão social, na quinta-feira, dia 29, e marcou um Conselho de Estado sobre o mesmo tema para 2 de novembro.

















