O Serviço Nacional de Saúde (SNS) vai passar a disponibilizar fisioterapia remota com recurso a Inteligência Artificial (IA), desenvolvida pela Sword Health, sem custos para os utentes. O anúncio foi feito esta quinta-feira, dia 18, pela empresa portuguesa, que confirmou a assinatura de uma parceria com o SNS para levar esta solução tecnológica a hospitais e centros de saúde do setor público. Segundo a empresa, o sistema ficará disponível já a partir da próxima semana.

O acordo foi formalizado no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, numa cerimónia que contou com a presença da ministra da Saúde, Ana Paula Martins, e do ministro Adjunto e da Reforma do Estado, Gonçalo Matias.

A iniciativa pretende reduzir as listas de espera para fisioterapia que, em alguns casos, ultrapassam os dois meses e, diminuir a necessidade de deslocações dos utentes, permitindo que os tratamentos possam ser realizados à distância, inclusive a partir de casa. Segundo a Sword Health, a integração desta tecnologia poderá reduzir em até 97% o tempo de espera para o início dos tratamentos e gerar uma poupança de cerca de 45% para o Estado face ao modelo tradicional.

“O futuro do SNS depende diretamente da nossa capacidade inovadora para colocar a tecnologia ao serviço dos utentes, reduzindo distâncias e aumentando o acesso aos cuidados de saúde”, afirmou a ministra Ana Paula Martins, sublinhando a importância da parceria.

Já Virgílio Bento, fundador e CEO da Sword Health, destacou o percurso da empresa: “Há mais de dez anos, começámos em Portugal com uma missão clara e urgente: resolver o problema da falta de acesso a cuidados de saúde de qualidade”, referiu, acrescentando que a solução já é utilizada em vários sistemas de saúde internacionais.

A medida resulta de uma convenção publicada em Diário da República em fevereiro, que permite ao SNS recorrer a soluções de fisioterapia remota com dispositivos médicos certificados. Na prática, médicos de família e outros profissionais passam a poder prescrever esta tecnologia a doentes com patologias musculoesqueléticas, como dores lombares, no joelho ou no ombro, bem como entorses e distensões musculares.

Após prescrição, o utente regista-se na plataforma da Sword Health e inicia o tratamento em casa, recebendo um dispositivo médico para execução dos exercícios. A IA acompanha as sessões em tempo real, corrige movimentos e permite a monitorização clínica à distância, com ajustes feitos pela equipa de saúde sempre que necessário.

O ministro Adjunto e da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, sublinhou ainda que “este é apenas o primeiro de muitos projetos de transformação do SNS através da tecnologia e inteligência artificial”, defendendo um Estado mais eficiente e orientado para a inovação.