A TAP fechou uma emissão de obrigações seniores no valor de 350 milhões de euros, mais 50 milhões do que o montante inicialmente previsto, o que revela uma procura dos investidores superior ao esperado. A taxa de juro fixou-se nos 4,75%, abaixo dos 5% com que a operação arrancou, e a liquidação está agendada para 26 de junho. Os títulos vencem em 2031 e destinam-se exclusivamente a investidores profissionais, estando vedados ao mercado de retalho e ao investidor norte-americano.
A operação acontece numa fase decisiva para o futuro da companhia. Air France-KLM e
Lufthansa têm até ao final de julho para apresentar propostas vinculativas pela fatia de 44,9% que o Estado português coloca à venda, mantendo-se como acionista maioritário com 50,1% do capital. Outros 5% estão reservados aos trabalhadores da TAP. O ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, indicou que o vencedor será conhecido em setembro, podendo assumir a cogestão da transportadora ainda este ano, com a entrada efetiva no capital estimada para o verão de 2027, após aprovação de Bruxelas.
A emissão surge também uma semana depois de a TAP ter concluído formalmente o plano de reestruturação acordado com a Comissão Europeia em 2021, com a venda das participações na Cateringpor e na antiga Groundforce. O dinheiro captado destina-se a fins societários gerais.
A operação confirma o apetite do mercado por dívida de alto risco no setor da aviação: só em 2026, as companhias aéreas e operadores aeroportuários já captaram mais de 10,5 mil milhões de dólares em emissões com perfil semelhante ao da TAP.
















