O Centro Interpretativo do Estado Novo – Regime e Resistência vai abrir portas no próximo dia 23 de outubro, no Vimieiro, em Santa Comba Dão, terra onde nasceu António de Oliveira Salazar. O espaço pretende estudar e explicar o período da ditadura, mas também dar destaque à resistência ao regime.

O centro ficará instalado na antiga Escola Cantina Salazar, um edifício construído durante o Estado Novo e recuperado pela Câmara Municipal. A coordenação científica está a cargo da Associação Cultural Ephemera, presidida por José Pacheco Pereira, que vai disponibilizar parte do seu arquivo relacionado com este período da história portuguesa.

A autarquia procura afastar a ideia de que o espaço possa servir para homenagear Salazar. "Não queremos transformar este centro interpretativo num museu ao ditador", garantiu Luís Nunes, vice-presidente da Câmara de Santa Comba Dão, acrescentando que o objetivo passa por estudar "não só o regime, mas também a resistência ao regime".

A primeira exposição será dedicada à censura durante o Estado Novo, com conteúdos relacionados com a imprensa, a literatura e a música. O espaço terá também uma biblioteca especializada para investigadores e deverá receber debates, conferências, exposições e outras iniciativas.

O projeto foi alvo de vários avanços e recuos ao longo dos anos e continua a gerar críticas. A União de Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP), por exemplo, contesta a criação do centro naquele local e considera que poderá contribuir para recuperar uma visão favorável de Salazar. A organização critica ainda a designação escolhida para o equipamento.

A inauguração terá três dias de programação, incluindo a exposição sobre a censura, mesas-redondas, concertos, cinema e uma visita ao património do centro histórico de Santa Comba Dão.