O Centro Interpretativo do Estado Novo – Regime e Resistência foi inaugurado esta sexta-feira, dia 23, na antiga Escola Cantina Salazar, no Vimieiro, a aldeia de Santa Comba Dão onde nasceu o ditador. Depois de mais de 20 anos de avanços e recuos, o projeto abriu portas.
A coordenação científica cabe à Associação Ephemera, dirigida por José Pacheco Pereira, que cede parte do seu arquivo temático. O edifício é uma escola-modelo do Estado Novo dos anos 40, já recuperada pela autarquia. Terá uma biblioteca temática, uma sala de leitura para investigadores, uma sala de exposição permanente com obras do escultor David Oliveira e uma sala de aula da época, com a fotografia de Salazar na parede.
"Não queremos transformar este Centro Interpretativo num museu do ditador", disse à Lusa o vice-presidente da Câmara, Luís Nunes. "Não se trata de um culto da memória, mas sim cultivar a memória para evitar os erros no futuro", acrescentou. A presidente da autarquia, Inês Matos, descreve o centro como "um espaço aberto ao conhecimento, à investigação e ao debate".
A programação de abertura prolonga-se até domingo. Esta noite, às 21h30, Diogo Martins canta José Afonso na Casa da Cultura. Para sábado está marcada nova conversa com o realizador José Filipe Costa. O fim de semana fecha com uma mostra de cinema que inclui "Pai Nosso: Os Últimos Dias de Salazar". A exposição pode ser visitada sábado e domingo, das 10h00 às 18h00.
O projeto foi lançado pelo então presidente da Câmara, Leonel Gouveia, e gerou polémica em 2019. Uma petição contra o que os críticos chamavam "museu Salazar" passou as 17 mil assinaturas, e o Parlamento aprovou, com os votos da esquerda, uma condenação da iniciativa.

















