Emídio Sousa, de 65 anos, revelou que, até ao momento, não existe qualquer indicação de cidadãos portugueses entre as vítimas dos fortes sismos que atingiram a Venezuela. O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas garantiu que o Governo está a acompanhar de perto a evolução da situação através da embaixada, dos consulados e de contactos estabelecidos junto da comunidade luso-venezuelana.
"Para já, não temos conhecimento de vítimas portuguesas", afirmou Emídio Sousa à agência Lusa, explicando que foram realizados vários contactos no terreno para avaliar o impacto dos abalos sísmicos. Apesar disso, admitiu que o cenário ainda é incerto, devido à dimensão da destruição registada em algumas zonas afetadas.
O secretário de Estado indicou ainda que as autoridades portuguesas não receberam, até ao momento, pedidos de auxílio por parte de portugueses residentes na Venezuela. No entanto, vários familiares em Portugal já contactaram os serviços do Estado para obter informações sobre os seus familiares, demonstrando preocupação com a situação.
Apesar da ausência de confirmação oficial de vítimas portuguesas, começam a surgir relatos de desaparecimentos junto da comunidade luso-venezuelana. Segundo informações avançadas à SIC Notícias pelo deputado do PSD na Madeira, Brício Araújo, pelo menos sete portugueses estão dados como desaparecidos, número que poderá aumentar à medida que as comunicações forem sendo restabelecidas nas zonas mais afetadas.
Entretanto, foram criadas plataformas de ajuda para localizar desaparecidos. O portal solidário “Venezuela Te Busca” já reúne mais de mil pedidos de ajuda, dos quais apenas três pessoas terão sido encontradas até ao momento. Outra plataforma, denominada “Desaparecidos Terramoto Venezuela”, contabiliza já mais de nove mil registos de pessoas dadas como desaparecidas, refletindo a dimensão da tragédia e a angústia das famílias que procuram notícias dos seus familiares.
Os sismos de magnitude 7,5 e 7,2, registados com apenas 39 segundos de diferença, provocaram pelo menos 164 mortos e mais de mil feridos, segundo dados divulgados pelas autoridades venezuelanas. A região de La Guaira foi uma das mais afetadas e foi declarada zona de desastre, enquanto as equipas de resgate continuam as operações no terreno e admitem que o número de vítimas possa aumentar nas próximas horas.
O sistema PAGER, do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), estima um impacto potencialmente elevado, tendo em conta a intensidade dos abalos, a densidade populacional e a vulnerabilidade das infraestruturas. De acordo com esta projeção automática, existe uma probabilidade significativa de o número de vítimas mortais ultrapassar as 10 mil pessoas, podendo, no cenário mais grave, atingir as 100 mil.

















