O presidente do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU), Benjamim Pereira, negou esta sexta-feira, dia 22, ter sugerido que os jovens emigrassem. Admitiu, no entanto, não ter sido feliz em algumas das expressões que usou ao falar sobre o “nível de sacrifício” da sociedade atual.

“Eu nunca disse isso. Isso é mentira”, respondeu aos jornalistas quando lhe perguntaram se defende que os jovens devem emigrar.

Num comunicado enviado às redações esta manhã, Benjamim Pereira garantiu que nunca afirmou que os jovens não têm dificuldades nem que não estão a sofrer. Explicou que fez um paralelismo com o passado, recorrendo a um exemplo pessoal, para mostrar que a habitação sempre foi um problema em Portugal e que os portugueses sempre se sacrificaram para ter casa própria. “Não se pode exigir aos jovens de hoje os sacrifícios de outrora”, acrescentou.

O presidente do IHRU disse que reconhece “não ter sido feliz em todas as expressões”, embora sem intenção. Assegurou que acredita no caminho traçado pela tutela.

Questionado sobre se vai colocar o cargo à disposição, remeteu para o comunicado e recusou comentar a posição do ministro da Habitação. “Eu limito-me a trabalhar”, afirmou.

Ontem à noite, em declarações à TVI, Miguel Pinto Luz classificou como “infeliz” a intervenção de Benjamim Pereira. O ministro disse que pediu explicações ao IHRU, mas não chegou a retirar a confiança política ao responsável. Lembrou ainda que o Governo de PSD e CDS-PP tem procurado formas de manter os jovens no país.

O Conselho Nacional de Juventude (CNJ) juntou-se esta sexta-feira às críticas. Em comunicado, considera que as palavras do presidente do IHRU estão desfasadas da realidade dos jovens e que transferem para uma geração a responsabilidade por uma crise habitacional estrutural. O CNJ lembra que os jovens saem de casa dos pais perto dos 30 anos, mesmo quando trabalham, e que cerca de um em cada três jovens nascidos em Portugal vive no estrangeiro.

“Os jovens não precisam de lições sobre sacrifício”, afirmou o presidente do CNJ, Francisco Garcia.

Como resposta à crise, a plataforma defende o reforço do parque habitacional público e uma revisão séria da lei das rendas. Defende também que se mantenham os limites atuais às rendas antecipadas e à caução, ambos fixados em duas rendas.

O PS considerou as declarações “intoleráveis”. O Bloco de Esquerda quer ouvir com urgência o presidente do IHRU na Assembleia da República. A Federação Académica de Lisboa e o movimento Porta a Porta também criticaram o responsável.