Dezenas de estudantes bloquearam, esta sexta-feira, dia 22, a Escola Secundária de Camões e a Escola Artística António Arroio, em Lisboa. Protestam contra o custo da habitação e do custo de vida, contra a falta de investimento na educação e contra a dependência dos combustíveis fósseis.

Os portões das duas escolas foram fechados com cadeados e correntes e cobertos de faixas. No Liceu Camões, os estudantes estavam no local desde cerca das 3h30. Na António Arroio, chegaram por volta das 5h. A PSP acompanhou o bloqueio à distância.

O protesto foi organizado pelos movimentos Chumbado.PT e Estudantes pelo Fim ao Fóssil, com o mote “Ocupamos as ruas para exigir habitação, ocuparemos as escolas para exigir educação”.

“Temos o custo de vida a aumentar cada vez mais, a habitação a aumentar cada vez mais, as escolas sem condições. Estão a destruir-nos o futuro e Luís Montenegro decide fechar os olhos perante o que se passa no país”, afirmou Santiago Carrilho, do Chumbado.PT, à porta do Camões. Raul Noetzold, aluno e também membro do movimento, disse que o bloqueio contou com o apoio de funcionários e professores, “porque esta é uma causa comum que afeta toda a gente, não apenas os jovens”.

Na António Arroio, Matilde Ventura, do coletivo Estudantes pelo Fim ao Fóssil, acusou o Governo de estar “a colocar o lucro acima da educação, acima da habitação”. 

Em comunicado, os dois movimentos exigem a remodelação das escolas, mais investimento na educação, garantia de professores e condições justas de acesso ao ensino superior. Pedem também o fim do investimento na guerra, que dizem ser feito em detrimento da transição energética.

Os estudantes dizem inspirar-se nos movimentos estudantis no estrangeiro e nas acampadas pela habitação em Lisboa e no Porto. O protesto desta sexta-feira antecede uma greve estudantil internacional marcada para 20 de novembro, que envolve mais de 16 países. Em Portugal, essa greve é liderada pelo Movimento Fim ao Fóssil até 2030 e conta com várias faculdades.

Créditos: @chumbado.pt