O PSD pretende ouvir 20 personalidades na Comissão Parlamentar de Inquérito à atuação de Luís Neves enquanto diretor da Polícia Judiciária (PJ), entre 2018 e 2026, incluindo o próprio ministro da Administração Interna, o antigo primeiro-ministro António Costa e três titulares da pasta da Justiça.

Segundo requerimentos a que a Lusa teve acesso, os sociais-democratas querem chamar a atual ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, as antecessoras Francisca Van Dunem e Catarina Sarmento e Castro, o atual diretor da PJ, Carlos Cabreiro, e outros responsáveis policiais.

A lista inclui ainda o antigo diretor do DCIAP, Albano Morais Pinto, a ex-secretária-geral do SIRP, Graça Mira Gomes, e Vítor Escária, antigo chefe de gabinete de António Costa.

Além das audições, o PSD exige documentação sobre a 'Operação Influencer', investigação que precipitou a demissão de António Costa, em novembro de 2023. O partido pretende esclarecer quem decidiu afastar inicialmente a PJ do processo e se a tutela governativa questionou Luís Neves sobre essa decisão.

Os sociais-democratas pedem também informações sobre os contratos celebrados entre a PJ e a Construbarcelos, empresa envolvida em obras numa propriedade do atual ministro, e eventuais conflitos de interesses.

O desaparecimento de armas, a gestão de bens apreendidos e possíveis fugas de informação integram igualmente os pedidos.

Ao contrário do PS, o PSD não requereu as audições de Luís Montenegro nem dos procuradores-gerais Amadeu Guerra e Lucília Gago.

A comissão, imposta pelo Chega e presidida por André Ventura, iniciou funções a 14 de outubro e investiga também eventuais responsabilidades dos governos que tutelaram a PJ.