O presidente da Junta de Freguesia de Marvila, António Videira, deverá apresentar a demissão depois de ter sido condenado à perda de mandato por dois crimes de prevaricação. O autarca socialista suspendeu funções até setembro, mas a expectativa é que não regresse ao cargo, colocando assim um ponto final numa carreira política marcada pela liderança de uma das freguesias mais populosas de Lisboa.

Videira recorreu da decisão judicial e continua a afirmar-se inocente. No entanto, prevê-se que o recurso seja rejeitado, o que tornará inevitável o abandono definitivo do mandato. A saída ocorre num momento particularmente sensível para o PS, que nas últimas eleições autárquicas conseguiu conservar Marvila, apesar do crescimento eleitoral do Chega nesta zona da capital.

O autarca tem também trabalhado junto da comissão de toponímia da Câmara Municipal de Lisboa, integrando os quadros do município. A eventual confirmação da perda de mandato abre uma nova frente política numa freguesia com profundas desigualdades sociais e onde os partidos disputam um eleitorado cada vez mais fragmentado. Caberá agora ao PS assegurar a transição e evitar que o caso judicial provoque uma crise política local ou fragilize a sua posição numa área considerada estratégica para o partido.