A Alemanha, durante anos considerada o porto seguro financeiro da Europa, está a sentir a pressão dos mercados. As taxas de juro da dívida alemã atingiram máximos que não eram observados desde 2011, num movimento integrado numa venda generalizada de obrigações a nível internacional.
As obrigações alemãs a 30 anos chegaram a negociar com uma taxa próxima de 3,78%, refletindo as preocupações dos investidores com as crescentes necessidades de financiamento de Berlim. O Governo alemão prepara investimentos significativos em infraestruturas e defesa, numa mudança de política que deverá obrigar o país a recorrer mais intensamente aos mercados.
Ao mesmo tempo, persistem receios relacionados com a inflação e com a situação no Médio Oriente, fatores que pressionam as taxas de juro internacionais.
O problema ultrapassa largamente as fronteiras alemãs. A dívida da Alemanha funciona como uma das principais referências para os mercados europeus. Uma subida prolongada dos seus juros pode acabar por aumentar os custos de financiamento de outros Estados, empresas e famílias — incluindo em Portugal.

















