A ala mais à esquerda do Partido Democrata está a conquistar espaço nos Estados Unidos e ameaça o domínio dos dirigentes moderados. As eleições primárias para o Congresso revelaram o crescimento de candidatos ligados aos Socialistas Democráticos da América, movimento que reúne mais de 100 mil membros e defende uma economia mais controlada pela classe trabalhadora.
No Michigan, Abdul El-Sayed derrotou a candidata apoiada pela direção democrata e poderá chegar ao Senado. Médico de 41 anos e filho de imigrantes egípcios, fez campanha com propostas como um sistema público de saúde para todos, a tributação dos lucros multimilionários e o fim do financiamento empresarial da política. Em Nova Iorque, a influência de Zohran Mamdani também ajudou vários candidatos progressistas a vencer as primárias.
O movimento tem ainda registado avanços no Minnesota, Pensilvânia, Colorado e Washington, embora continue a encontrar dificuldades fora dos grandes centros urbanos. Bernie Sanders, hoje com 84 anos, foi o responsável por dar projeção nacional a estas ideias, apesar das derrotas nas presidenciais de 2016 e 2020. Alexandria Ocasio-Cortez tornou-se entretanto a sua principal herdeira política. A incógnita é saber se este crescimento permitirá disputar o poder dentro do partido ou se acabará por assustar o eleitorado mais moderado.

















