Os mercados financeiros internacionais voltaram a acender sinais de alarme. A taxa das obrigações do Tesouro norte-americano a 30 anos ultrapassou os 5,3%, atingindo o nível mais elevado desde junho de 2007, enquanto os juros de longo prazo sobem também no Japão e em várias das principais economias europeias.

O movimento contrasta com aquilo que acontece nos prazos mais curtos. Dados mais moderados da inflação norte-americana reduziram as expectativas de novas subidas das taxas pela Reserva Federal, mas não conseguiram tranquilizar os investidores relativamente ao futuro. Riscos orçamentais, petróleo caro, incerteza monetária e fortes necessidades de financiamento público e empresarial estão a pressionar as taxas.

A dimensão do problema é global. Os Estados Unidos acumulam uma dívida próxima dos 39 biliões de dólares, equivalente a cerca de 124% do PIB, e precisam de refinanciar enormes montantes anualmente. Ao mesmo tempo, as grandes tecnológicas recorrem ao mercado para financiar investimentos gigantescos em inteligência artificial, aumentando a competição pelo dinheiro dos investidores e encarecendo o crédito em várias economias.