Depois de um ano de 2024 difícil e de um verdadeiro descalabro em 2025, as urgências hospitalares atravessam um verão mais tranquilo. Apesar de continuarem a existir constrangimentos na obstetrícia, pediatria e no funcionamento do CODU, o número de serviços encerrados diminuiu e os tempos de espera têm ficado abaixo dos registados em anos anteriores.

A criação de urgências regionais de obstetrícia, concentrando equipas e meios em hospitais de referência, é apontada como uma das principais razões para a melhoria. O modelo está já a funcionar em Almada, Barreiro, Vila Franca de Xira e Loures. A pré-triagem através da linha SNS 24 terá ainda reduzido em cerca de 30% a procura das grávidas pelas urgências hospitalares.

Foi igualmente criada uma plataforma que permite aos hospitais informar, em tempo real, se têm capacidade para receber grávidas, facilitando o trabalho do INEM e evitando deslocações sucessivas entre unidades. A melhoria, porém, continua muito dependente do esforço extraordinário dos profissionais. Até maio, os médicos realizaram 2,4 milhões de horas extraordinárias, quase tanto como em todo o ano de 2025. A fatura ultrapassou os 100 milhões de euros, aos quais se somam 92,5 milhões pagos a prestadores de serviços.