O caos nos exames nacionais voltou a expor graves falhas no sistema educativo português. Centenas de alunos do ensino secundário ficaram com as classificações suspensas devido ao extravio de folhas de prova, itens em falta e atrasos na disponibilização das notas da primeira fase.
Os ficheiros com as classificações só começaram a ser enviados às escolas depois das 19:30, numa altura em que muitos estabelecimentos já estavam encerrados. O atraso criou uma situação de revolta: enquanto alguns estudantes conseguiram consultar as notas, outros ficaram sem qualquer informação durante o fim de semana.
O Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação admitiu a existência de situações em que folhas de resposta desapareceram ou determinados itens ficaram indisponíveis por razões não imputáveis aos alunos. Nessas circunstâncias, as pautas apresentam a indicação de "suspenso", sem que tenha sido imediatamente definido o procedimento para consulta, reapreciação ou reclamação.
O ministro da Educação, Fernando Alexandre, reconheceu que estão em causa centenas de estudantes e revelou que algumas dezenas de provas nem sequer terão sido entregues pelas escolas às forças de segurança.
Apesar dos atrasos do próprio sistema, o governante pressionou os diretores para publicarem as notas e anunciou que pediria justificações às escolas que não o fizessem.
A Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas denunciou a desigualdade criada entre alunos. A publicação dos resultados das provas finais do 9.º ano acabou também por ser adiada, para dar prioridade às classificações do secundário.
A crise já motivou uma queixa da FENPROF à Procuradoria-Geral da República e levou a Universidade de Aveiro a alterar prazos de candidatura ao ensino superior, embora o Governo insista que o calendário nacional não será mexido.
Fernando Alexandre anunciou uma auditoria e afirmou estar disponível para assumir responsabilidades. O Presidente da República reconheceu que o processo “não correu bem”. Para centenas de famílias, o problema está longe de ser apenas administrativo: estão em causa classificações decisivas, candidaturas ao ensino superior e o futuro académico de alunos que cumpriram todas as suas obrigações.

















