Portugal enfrenta dias de calor extremo, com temperaturas que podem ultrapassar os 40 graus em várias regiões do País e vários distritos em alerta vermelho. O 24Horas falou com, o diretor da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), Armindo Monteiro, o médico e ex-presidente da Cruz Vermelha Portuguesa, Francisco George, e o dirigente da CGTP, Hélder Pires, que defendem a adoção de medidas que protejam os trabalhadores das temperaturas elevadas.
Para Francisco George, o Governo já adotou alguma medidas, mas é essencial que estas sejam cumpridas. O médico sublinha que os trabalhadores devem evitar as horas de maior calor, procurar espaços frescos durante parte do dia e manter uma hidratação constante, "bebendo água de 15 em 15 minutos, mesmo sem sede".
O ex-presidente da Cruz Vermelha Portuguesa explica que o organismo é sujeito a um enorme esforço quando a temperatura ambiente ultrapassa os 40 graus. Por isso, considera fundamental ficar algumas horas por dia em locais frescos para permitir que os mecanismos naturais de regulação do corpo funcionem corretamente.
Francisco George alerta ainda para os grupos mais vulneráveis, como idosos, crianças e doentes crónicos, sobretudo pessoas com problemas cardíacos, respiratórios ou renais, cujas patologias podem agravar-se durante períodos de calor intenso. Recorda também o perigo de deixar crianças em automóveis expostos ao sol, situação que já provocou mortes noutros países europeus.
Armindo Monteiro considera que a prioridade deve ser proteger "o principal ativo" das organizações: os trabalhadores. O presidente da CIP defende que cada empresa deve começar por avaliar os riscos associados às diferentes funções, distinguindo, por exemplo, o trabalho realizado no interior daquele que é feito ao ar livre.
Entre as medidas apontadas estão a adaptação de horários, o reagendamento de tarefas que impliquem exposição direta ao sol, a redução do esforço físico sempre que possível e o reforço dos períodos de descanso e da hidratação. "Há mais dias do ano para produzir e recuperar", afirma, defendendo que deve prevalecer o bom senso na tomada de decisões. O responsável defende não existir uma solução única que se possa aplicar a todos os setores.
Já Hélder Pires critica a resposta do Governo e considera que as temperaturas excecionais exigem medidas excecionais. O dirigente da CGTP afirma que Portugal continua atrasado relativamente a outros países europeus e acusa o Executivo de demonstrar "alguma insensibilidade" perante a realidade dos trabalhadores, em especial daqueles que desempenham funções no exterior.
Segundo Hélder Pires, profissões como a construção civil, limpeza urbana ou recolha de resíduos tornam-se particularmente penosas durante vagas de calor, aumentando significativamente os riscos para a saúde: "Podem morrer", alerta, defendendo a adoção de medidas extraordinárias para proteger quem trabalha exposto ao sol.

















