As importações de gasóleo de Marrocos para Espanha dispararam nos últimos meses, alimentando suspeitas de que parte do combustível possa ter origem na Rússia e estar a entrar no mercado europeu através de um circuito indireto.

A denúncia é avançada pelo jornal espanhol El País, que refere que o aumento das compras coincidiu com a escalada das tensões no Médio Oriente e com as perturbações no mercado internacional dos combustíveis.

Segundo o diário, desde março chegaram a Espanha cerca de 76 mil toneladas de gasóleo provenientes de Marrocos, um volume inédito no último ano. O setor considera improvável que o país norte-africano consiga responder a esta procura com produção própria, uma vez que não dispõe de refinarias em funcionamento, levantando dúvidas sobre a verdadeira origem do produto.

Os operadores alertam para a possibilidade de o combustível russo estar a ser reexportado através de Marrocos, contornando, dessa forma, as restrições impostas pela União Europeia após a invasão da Ucrânia. Rabat manteve relações comerciais com Moscovo e continua a importar grandes quantidades de gasóleo russo, reforçando as suspeitas.

A Associação da Indústria dos Combustíveis de Espanha defende um reforço da fiscalização para evitar fraudes e proteger a concorrência, enquanto o Ministério da Transição Ecológica afirma não ter, até ao momento, provas que confirmem qualquer irregularidade. Ainda assim, o caso reacende o debate sobre a eficácia das sanções europeias e sobre a dificuldade em controlar a origem dos combustíveis comercializados através de países terceiros.