Não é só a falta de professores. O novo ano letivo arranca com falta de computadores, equipamentos obsoletos e problemas no acesso à Internet em muitas escolas portuguesas. Um questionário promovido pela Federação Nacional dos Professores (Fenprof), divulgado esta segunda-feira, dia 14, revela que dois em cada três diretores afirmam não dispor de kits tecnológicos completos suficientes para os alunos.

Os números traçam um cenário de dificuldades na transição digital. Apenas 16% dos diretores que participaram no levantamento garantem possuir computadores em número suficiente e em boas condições para distribuir pelos estudantes. Em sentido contrário, 83,8% afirmam que alguns ou mesmo todos os equipamentos disponíveis não se encontram em condições adequadas.

Entre os principais problemas apontados estão computadores tecnologicamente obsoletos, equipamentos que necessitam de ser substituídos e redes de Internet deficientes. Limitações que acabam por ter impacto direto dentro das salas de aula.

Segundo o questionário, 72% das escolas não utilizam de forma generalizada computadores ou tablets nas aulas. Além disso, 65% dizem não dispor de computadores para os alunos realizarem pesquisas e igual percentagem refere não possuir uma rede de Internet com qualidade suficiente. A lista de carências estende-se ainda aos equipamentos das próprias salas: 60% das escolas não têm quadros interativos.

Os dados da Fenprof expõem, assim, um significativo atraso tecnológico numa altura em que a digitalização assume um peso crescente no ensino e na aprendizagem, como tem reforçado o ministro da Educação, Fernando Alexandre.