José Luís Carneiro afirmou esta sexta-feira, dia 31, que, caso fosse primeiro-ministro, não teria convidado Luís Neves para assumir a pasta da Administração Interna, por considerar que o antigo diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ) desempenhava um papel essencial na liderança da instituição.

O secretário-geral do PS, que exerceu funções como ministro da Administração Interna no Governo de António Costa, elogiou, em entrevista ao Observador, o percurso de Luís Neves, descrevendo-o como "um servidor do Estado e do interesse público" e "um polícia respeitado". No entanto, distinguiu o exercício de funções técnicas da responsabilidade política, defendendo que a passagem da direção da PJ para o Governo constituiu "uma escolha arriscada".

Carneiro sustentou que quem ocupa cargos de elevada responsabilidade nas forças de investigação criminal deve concentrar-se na proteção das instituições democráticas e da própria Polícia Judiciária. Por isso, considerou que tanto Luís Neves como o primeiro-ministro devem agora avaliar se existem condições para a continuidade do ministro no cargo.

Questionado sobre se o demitiria, o líder socialista evitou responder diretamente, reiterando que não o teria escolhido para integrar o Executivo: "Se eu fosse primeiro-ministro, não o teria convidado para funções políticas, tendo em conta o trabalho que estava a fazer na Polícia Judiciária."

Na entrevista, Carneiro defendeu ainda que Luís Neves "ficou a fazer falta à Polícia Judiciária" e argumentou que a autoridade política do ministro se encontra fragilizada. Carneiro responsabilizou igualmente o Governo pela atual instabilidade política, acusando o primeiro-ministro de revelar falta de capacidade de antecipação e sensibilidade na gestão de sucessivas crises, considerando que o Executivo tem sido "o principal fator de instabilidade".