A economia francesa deverá crescer apenas 0,4% em 2026, menos de metade dos 0,9% registados no ano anterior e cerca de um terço da média prevista para as grandes economias da zona euro.

A nova estimativa do instituto nacional de estatística confirma uma travagem acentuada: o produto interno bruto caiu 0,2% no primeiro trimestre, estagnou no segundo e deverá avançar apenas 0,1% e 0,2% nos dois últimos trimestres.

O Insee atribui o abrandamento à quebra da produção agrícola provocada pela vaga de calor, à forte redução da atividade nas obras públicas depois das eleições municipais e à deterioração do emprego. O desemprego deverá atingir 8,6% no final do ano e o setor privado perder 66 mil postos líquidos. Ao mesmo tempo, a inflação deverá acelerar para 2,9%, corroendo salários e consumo.

O poder de compra deverá recuar 0,4% e o investimento empresarial cair 0,3%. O comércio externo, apoiado pelas exportações aeronáuticas e navais, será quase o único motor.

O quadro complica o orçamento de 2027, construído sobre uma expansão de 1% que muitos economistas consideram otimista. Com juros e energia mais caros, Paris terá de aumentar impostos, cortar despesa ou aceitar um défice acima do prometido.