O governo de Luís Montenegro escolheu o embaixador Nuno Brito, 67 anos, atualmente à frente da embaixada portuguesa em Londres, para presidir à Comissão de Acompanhamento dos Investimentos na Defesa (CAID), organismo que terá a missão de monitorizar e emitir recomendações sobre a execução dos milhares de milhões de euros que Portugal se prepara para investir no reequipamento militar.

A nomeação surge num momento particularmente sensível, quando continua acesa a polémica em torno da aquisição de três fragatas FREMM EVO à italiana Fincantieri, por cerca de 3,9 mil milhões de euros — precisamente a maior fatia dos cerca de 5,8 mil milhões de financiamento europeu SAFE destinados a Portugal.
O diplomata Nuno Brito, antigo assessor diplomático de Durão Barroso ao tempo em que este foi primeiro-ministro, e de quem se diz poder vir a se o próximo secretário-geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros, já representou Portugal nos Estados Unidos, na União Europeia e nas Nações Unidas, sendo considerado um dos melhores diplomatas da sua geração.

‘Vigiar’ os negócios da Defesa
A comissão que Nuno Brito, ainda acumulando com a embaixada em Londres, agora irá liderar integra ainda representantes dos ministérios dos Negócios Estrangeiros, Finanças, Economia e Defesa, além de elementos indicados pelos três maiores grupos parlamentares: PSD, Chega e PS.


O negócio das fragatas, envolto em polémica, que irá levar o ministro Nuno Melo à Assembleia da República é um dos ‘dossiers’ sobre que o embaixador Nuno Brito se irá debruçar
A missão ganha especial relevância depois das dúvidas levantadas sobre o negócio das fragatas. O ministro da Defesa, Nuno Melo, será ouvido no Parlamento, numa audição aprovada por unanimidade, e a empresa portuguesa NT Group foi igualmente convidada a prestar esclarecimentos.


A questão é agora perceber até onde irão os poderes efetivos desta comissão. A CAID acompanhará, monitorizará e fará recomendações, enquanto uma segunda estrutura, a CAC-SAFE, ficará responsável pela auditoria e controlo dos fundos europeus.


Com milhares de milhões de euros em jogo, Nuno Brito chega a uma função em que independência, transparência e capacidade de escrutínio serão inevitavelmente postas à prova