Numa extensa entrevista, publicada esta segunda-feira, dia 27, em Luanda, pelo Jornal de Economia & Finanças, o presidente da Deloitte Angola, José Barata, considera que o principal desafio do sistema financeiro angolano passa por aproximar a banca da economia real, defendendo um modelo mais orientado para o financiamento dos sectores produtivos e menos dependente dos títulos da dívida pública, sustentando que a diversificação económica, prioridade assumida pelo governo, "não será possível sem uma banca mais próxima das empresas" e capaz de apoiar o investimento privado.
Apesar de reconhecer a profunda transformação registada pelo setor bancário nas últimas duas décadas, marcada pelo reforço da supervisão, da capitalização e da digitalização, José Barata entende que subsistem constrangimentos estruturais que limitam o acesso das empresas ao crédito. Entre eles, destaca a elevada informalidade da economia, fragilidades na informação financeira das empresas, dificuldades na constituição de garantias e o elevado peso dos ativos aplicados em dívida pública.
O presidente da Deloitte Angola considera, contudo, que o sistema financeiro angolano está a entrar numa nova fase de maturidade, impulsionada pela inovação tecnológica, pela expansão dos pagamentos digitais e pela crescente utilização da inteligência artificial. Aponta o sucesso do Multicaixa Express como exemplo da rápida adoção de soluções digitais pelos angolanos e defende que a inclusão financeira deve ser encarada como uma ferramenta de desenvolvimento económico e social, e não apenas como um indicador estatístico.
Barata identifica ainda como prioridade para a próxima década o aumento do financiamento à economia produtiva, através de mais investimento em agricultura, indústria, exportações e pequenas e médias empresas. Na sua perspetiva, o futuro da banca angolana dependerá da capacidade de mobilizar poupança para investimento, inovar tecnologicamente e reforçar a confiança dos clientes, contribuindo para um crescimento económico mais sustentável e para uma diversificação efetiva da economia nacional.

















