A falta de camas nos hospitais franceses está a obrigar doentes a permanecer durante longos períodos em macas nos serviços de urgência. Em casos extremos, a espera prolonga-se por vários dias, sem privacidade, conforto ou acompanhamento adequado. Idosos e pessoas com doenças crónicas encontram-se entre os mais afetados, correndo maior risco de quedas, infeções, desorientação e agravamento clínico.

Os profissionais de saúde denunciam uma situação incompatível com a dignidade dos pacientes e explicam que as urgências se transformaram em enfermarias improvisadas. O problema resulta da redução de camas hospitalares, da falta de enfermeiros e auxiliares, do envelhecimento da população e das dificuldades de encaminhamento para unidades de cuidados continuados.

Em Orleães, o caso de uma mulher obrigada a permanecer dias numa maca voltou a expor a dimensão da crise. O Governo tem anunciado investimentos e medidas de contratação, mas os sindicatos afirmam que as respostas continuam aquém das necessidades. A realidade francesa encontra paralelo noutros países europeus, incluindo Portugal, onde a pressão sobre as urgências mostra que a crise hospitalar é também uma crise de planeamento e recursos humanos.