Os pescadores artesanais da Bretanha estão a capturar até dez vezes menos peixe depois de uma sucessão sem precedentes de canículas marinhas. Ao largo de Finistère, a temperatura da água chegou aos 23,3 graus, quando o valor habitual ronda os 18, alterando o comportamento e a distribuição de várias espécies.
Solas, salmonetes e cavalas tornaram-se raros nas redes. Pescadores que anteriormente recolhiam cerca de 15 quilos regressam agora com pouco mais de um quilo. A escassez está a obrigar as embarcações a diversificarem as capturas e a experimentarem a pesca de polvo, uma espécie anteriormente mais associada às águas de Espanha e que começa a deslocar-se para norte.
Os cientistas alertam que o aquecimento impede a mistura entre as águas profundas e superficiais, reduzindo a circulação dos nutrientes indispensáveis ao crescimento do fitoplâncton. A quebra atinge, depois, toda a cadeia alimentar. Outras espécies, como a pescada e o bacalhau, procuram águas mais frias, enquanto o atum-rabilho avança cada vez mais pelo Atlântico.
A redução das capturas já está a fazer subir os preços pagos pelos consumidores. Os pescadores pedem apoio europeu para renovarem as embarcações e poderem operar mais longe da costa, mas receiam que as mudanças climáticas coloquem definitivamente em causa o futuro da pesca artesanal.

















