O interesse de Donald Trump pela Gronelândia voltou a inquietar os habitantes do sul da ilha, onde Washington pretende reabrir antigas instalações militares e garantir acesso a importantes reservas de matérias-primas. A pressão norte-americana concentra-se em Narsarsuaq, antiga base construída durante a Segunda Guerra Mundial e abandonada pelos Estados Unidos em 1958.
O aeroporto local, que servia uma população de cerca de 150 habitantes e recebia milhares de turistas, encerrou em abril, acelerando o despovoamento. Washington quer agora reativar a base e reforçar a presença militar numa região considerada estratégica para a vigilância do Ártico, dos submarinos russos e da crescente influência chinesa.
A poucos quilómetros encontra-se Kvanefjeld, um dos maiores depósitos mundiais de terras raras e urânio. Apesar da proibição da exploração do minério, investidores próximos dos Estados Unidos continuam interessados no projeto. Uma empresa ligada ao universo empresarial de Trump terá obtido financiamento público norte-americano que poderá chegar aos 120 milhões de dólares para desenvolver uma mina.
A União Europeia tenta contrariar a ofensiva de Washington, apoiando a soberania dinamarquesa e reforçando relações com as autoridades locais. Entre os habitantes cresce o receio de que o interesse geopolítico e mineiro destrua o ambiente, ameace a pastorícia e transforme novamente a região numa plataforma militar.
















