Quatro hidroaviões Canadair CL-215T que o Governo espanhol considerou obsoletos e vendeu em 2023 estão, três anos depois, a combater incêndios florestais em Portugal, depois de terem sido modernizados. A informação foi avançada pelo jornal espanhol El Confidencial.
Em junho de 2023, o Ministério espanhol para a Transição Ecológica, então liderado por Teresa Ribera, aprovou a retirada de quatro aviões CL-215T da frota do Grupo 43 do Exército do Ar. As aeronaves, fabricadas pela canadiana Canadair e em serviço desde finais dos anos 1970 e início dos 1980, foram declaradas fora de vida útil e postas em leilão.
A operação reduziu a frota espanhola de hidroaviões de 18 para 14 unidades, numa altura em que os incêndios se tornam cada vez mais intensos devido às alterações climáticas. Atualmente, das 14 aeronaves que restam em Espanha, apenas sete estariam disponíveis para operar.
Esses quatro aviões foram comprados por uma empresa norte-americana, a Bridger Aerospace, por 40,3 milhões de euros. Através de uma sociedade criada para o efeito, a Albacete Aero SL, os aparelhos foram recuperados e modernizados num hangar no Aeroporto de Albacete, em Espanha.
Dois desses aviões já entraram ao serviço da frota privada da Bridger Aerospace e foram, entretanto, alugados a Portugal para reforçar o dispositivo nacional de combate a incêndios florestais durante este verão, num contrato que deverá manter-se ativo até meados de outubro. Os outros dois aparelhos deverão ficar operacionais mais tarde.
O regresso destes Canadair ao céu ibérico reacendeu a polémica em Espanha sobre a decisão de os retirar de serviço. Este verão, Espanha está limitada a uma das frotas aéreas de combate a incêndios mais reduzidas desde os anos 1980, com avarias e falta de disponibilidade a limitarem a capacidade operacional do Grupo 43, apesar dos avisos de organismos ambientais sobre a necessidade de reforçar os meios aéreos face a fogos cada vez mais severos.




















