A Caixa Geral de Depósitos (CGD) registou lucros de 913 milhões de euros no primeiro semestre, mais 2,2% do que no mesmo período de 2025. Até junho, o banco público entregou ao Estado 1.330 milhões de euros entre dividendos e IRC, estimando que esse montante alcance os 1.660 milhões até ao final do ano.
Na apresentação dos resultados, o presidente executivo da CGD, Paulo Macedo, revelou que o volume de negócios aumentou 11.500 milhões de euros em termos homólogos. A evolução foi impulsionada pelo crescimento de 3.600 milhões no crédito e de 3.400 milhões nos recursos de clientes.
A carteira de empréstimos em Portugal atingiu os 55 mil milhões de euros, uma subida de 7% relativamente ao primeiro semestre do ano passado. No crédito à habitação, foram concedidos cerca de 3.700 milhões de euros, mais 42%. Só em junho, o financiamento destinado à compra de casa chegou aos 740 milhões de euros, o valor mensal mais elevado de sempre no banco.
O novo crédito concedido às empresas para investimento também totalizou 3.700 milhões de euros, representando um crescimento de 49%.
Paulo Macedo admitiu, no entanto, que as novas orientações do Banco de Portugal para a concessão de empréstimos poderão reduzir em cerca de 10% o crédito disponibilizado pela CGD. As regras, que recomendam a descida da taxa de esforço máxima de 50% para 45%, entram em vigor esta sexta-feira.
A margem financeira consolidada – diferença entre os juros cobrados nos empréstimos e a remuneração paga pelos depósitos – fixou-se nos 1.241 milhões de euros. O indicador caiu 3%, menos cerca de 42 milhões de euros, apesar de ter crescido entre o primeiro e o segundo trimestre.
Os recursos totais captados em Portugal chegaram aos 107 mil milhões de euros. Segundo a instituição, os fundos e seguros cresceram ao dobro do ritmo dos depósitos.
O banco afirmou ainda ter mantido as comissões praticamente estáveis pelo quarto ano consecutivo, garantindo que continua a praticar os valores mais baixos entre os principais concorrentes quando comparados com o volume de negócios.
A digitalização continua a alterar a relação dos clientes com a instituição. Paulo Macedo revelou que a CGD atingiu um máximo histórico de transações e que apenas 1% das operações é atualmente realizado ao balcão.
Questionado sobre um eventual interesse na compra do Banco CTT, o gestor afastou essa possibilidade. "Não estamos a analisar aquisições", garantiu, acrescentando que qualquer operação teria de permitir diversificar a carteira de clientes e superar eventuais obstáculos colocados pela Autoridade da Concorrência.

















