Subiu para 19 o número de migrantes que morreram na sequência da tentativa de entrada irregular em Ceuta, enclave espanhol no Norte de África. O novo balanço foi avançado esta sexta-feira, dia 31, pelo El País, depois de a Guarda Civil espanhola ter recuperado mais corpos nas águas junto à fronteira marítima do Tarajal. Nas ruas, o ambiente é de muita violência.
Com as vítimas registadas nas últimas horas, ascende a 49 o número de migrantes encontrados sem vida na costa de Ceuta desde o início do ano, numa das rotas mais perigosas de acesso ao território espanhol.
A tragédia ocorre no contexto de uma pressão migratória sem precedentes sobre o enclave. Segundo estimativas iniciais das autoridades espanholas, mais de 50 mil pessoas terão entrado irregularmente em Ceuta nos últimos dias, um fluxo muito superior ao registado durante a crise de maio de 2021, quando cerca de 10 mil migrantes cruzaram a fronteira.
A chegada em massa provocou um aumento próximo de 50% da população da cidade autónoma e deixou centenas de pessoas a dormir ao relento, em parques e jardins públicos, devido à incapacidade dos centros de acolhimento para responder ao afluxo. Há registos de muita violência entre locais e marroquinos.
O chefe do governo, Pedro Sánchez, desloca-se esta sexta-feira a Ceuta, acompanhado pelo ministro da Administração Interna, Fernando Grande-Marlaska, para acompanhar a resposta à crise. Entretanto, a fronteira continua marcada por movimentos nos dois sentidos: enquanto centenas de migrantes regressam voluntariamente a Marrocos pelo mesmo ponto onde entraram, pequenos grupos continuam a tentar alcançar território espanhol.
Também foram registados confrontos junto ao posto fronteiriço de El Tarajal, com tentativas de forçar a vedação e lançamento de pedras contra as forças de segurança.

















