Depois dos graves problemas técnicos que marcaram as provas deste ano, o Correio da Manhã revela esta quinta-feira, dia 9, que a empresa responsável pela plataforma começou a trabalhar para o Estado através de um ajuste direto e sem apresentar experiência conhecida na área da educação ou da avaliação digital.
Segundo a investigação do jornal, trata-se da Blat, uma empresa ligada ao design e à comunicação, que assumiu o desenvolvimento da plataforma utilizada nos exames digitais.
Contactada pelo CM, a empresa reconhece ter criado a plataforma, mas garante que não foi responsável pela digitalização das provas nem pelo controlo de qualidade do sistema.
O jornal acrescenta que a Blat iniciou a colaboração com o Estado através de um ajuste direto e destaca ainda o percurso de Inês Catarino, sócia fundadora da empresa, que foi assessora de Carlos Moedas antes de integrar o projeto empresarial.
O caso surge numa altura em que o Ministério da Educação enfrenta fortes críticas pela sucessão de falhas registadas durante a realização dos exames nacionais em formato digital, que afetaram milhares de alunos e obrigaram a interrupções, adiamentos e alterações de procedimentos em diversas escolas.
A revelação adensa a pressão política sobre o Governo e sobre o Instituto de Avaliação Educativa (IAVE), aumentando as exigências de esclarecimento sobre os critérios de contratação, a seleção dos fornecedores tecnológicos e a cadeia de responsabilidades num processo que tinha como objetivo modernizar a avaliação externa, mas que acabou por expor fragilidades na preparação e execução da transição digital do sistema de exames.
FENPROF exige a demissão do ministro da Educação, Fernando Alexandre, tal como Mário Nogueira, do Conselho Nacional de Educação, em declarações exclusivas ao 24Horas.

















