O diferendo entre Donald Trump, de 80 anos e Pedro Sánchez (54) em torno do investimento em Defesa voltou a marcar a cimeira da NATO, embora o presidente norte-americano tenha acabado por suavizar o discurso, afirmando mais tarde que Espanha "se redimiu por completo".

Depois de, durante uma intervenção ao lado do secretário-geral da organização, Mark Rutte (59), à margem da cimeira que decorreu em Ancara, na Turquia, ter descrito a Espanha como um "caso perdido" e até admitido romper relações comerciais com Madrid, Trump mudou de posição poucas horas depois.

Já a bordo do Air Force One, durante a viagem de regresso aos Estados Unidos (EUA), o líder norte-americano garantiu que o governo espanhol tinha respondido positivamente a um "importante pedido de pagamento" à NATO, sem, no entanto, revelar em que consistia.

"Devo dizer que tive problemas com Espanha, e ainda os tenho, mas hoje redimiram-se por completo. Espanha foi muito generosa hoje… aceitaram um pedido de pagamento importante e, se não o tivessem feito, nem sequer lhes teríamos dirigido a palavra", afirmou.

Horas antes destas declarações, Pedro Sánchez tinha defendido que Espanha está a cumprir os compromissos assumidos perante a NATO e anunciou ainda o reforço da presença militar espanhola na Finlândia, no âmbito da missão das Forças Terrestres Avançadas da Aliança.

"Alcançámos os objetivos de capacidades fixados para 2026 (...) Espanha veio a esta cimeira com os deveres feitos", afirmou o primeiro-ministro espanhol.

No centro da divergência continua a estar o nível de investimento espanhol em Defesa. De acordo com os dados mais recentes divulgados pela NATO, Madrid aumentou significativamente o orçamento destinado ao setor desde 2014, passando de cerca de nove mil milhões de euros para aproximadamente 33 mil milhões em 2026, estando previsto um novo aumento para cerca de 35 mil milhões no próximo ano.

Ainda assim, Espanha continua abaixo da meta de investir 5% do PIB em Defesa, objetivo acordado pelos aliados na cimeira da Haia.

A NATO sublinha que os países europeus e o Canadá aumentaram, em conjunto, cerca de 20% a despesa base em Defesa durante 2025, face ao ano anterior. A organização prevê ainda que cinco Estados-membros cumpram, já em 2026, a meta intermédia de 3,5% do PIB para necessidades essenciais de Defesa e que 17 países atinjam o objetivo adicional de 1,5% destinado a investimentos em segurança e defesa antes de 2035.

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