Inês de Medeiros, de 58 anos, recorreu às redes sociais, ao final da tarde desta quarta-feira, dia 8, para dirigir uma mensagem aos habitantes do concelho de Almada, depois de ter sido decretado o Estado de Alerta devido à crise no abastecimento de água.

"Não vou omitir nem minimizar a gravidade desta situação. Lamento profundamente os transtornos e as dificuldades que esta situação está a causar às famílias, às empresas e às instituições", começou por afirmar a presidente da Câmara Municipal de Almada.

A autarca explicou que tanto os Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) como o município têm vindo a trabalhar desde maio para evitar que o problema atingisse a dimensão atual, mas admite que os esforços não foram suficientes para impedir que várias freguesias ficassem sem abastecimento.

"Apesar de todos os esforços, as nossas reservas de água não conseguem responder ao aumento absolutamente excecional do consumo. Estamos a consumir muito mais água do que aquela que o sistema consegue repor", afirmou.

Segundo Inês de Medeiros, os reservatórios do concelho encontram-se atualmente com cerca de 10% da sua capacidade, quando o nível considerado normal deveria rondar os 60%.

A presidente recordou ainda a crise hídrica vivida no Algarve em 2023, sublinhando que o município está a atuar em articulação com a Agência Portuguesa do Ambiente e com a Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR), que validaram as medidas agora implementadas.

Entre essas medidas estão cortes programados no abastecimento de água, organizados por zonas do concelho. O calendário será divulgado pela câmara municipal, pelos SMAS e pelas Juntas de Freguesia com a maior antecedência possível.

"Reforçámos a monitorização da rede e dos reservatórios, as equipas de deteção e reparação de fugas e roturas e as ações de fiscalização sobre consumos abusivos e utilizações ilegais", destacou.

A autarca garantiu ainda que está assegurado o abastecimento prioritário ao Hospital Garcia de Orta, centros de saúde, lares, corporações de bombeiros e restantes serviços considerados essenciais. Acrescentou que o concelho aguarda a chegada de 10 camiões-cisterna para apoiar as zonas mais afetadas e que estão a ser abertos novos furos para reforçar a disponibilidade de água.

Entre as restrições decretadas está a proibição da utilização de água da rede pública para rega, lavagem de viaturas e de arruamentos, enchimento de piscinas e outras atividades recreativas ou não essenciais que impliquem elevados consumos. Também os chuveiros e lava-pés das zonas balneares deixam de poder ser utilizados.

"A partir do dia 11 serão igualmente encerrados os equipamentos, balneários e infraestruturas desportivas municipais que impliquem consumos significativos de água, exceto quando estejam em causa competições oficiais", acrescentou.

Créditos:inesdemedeiros.pt/Instagram

A crise no abastecimento levou ainda centenas de pessoas às ruas da Costa da Caparica na quarta-feira, 8. O protesto, inicialmente convocado como um cordão humano, transformou-se numa marcha entre o Centro Comercial O Pescador e a rotunda de acesso ao IC21, acompanhada por um forte dispositivo da GNR. Os manifestantes exigiram uma solução para a falta de água, que afeta a população há vários dias, e pediram a demissão de Inês de Medeiros, entoando palavras de ordem como: "Inês para a rua, Almada não é tua".

Entretanto, a ministra do Ambiente responsabilizou a Câmara Municipal de Almada por não ter realizado os investimentos necessários para evitar a atual situação, alertando que o concelho regista perdas de água na ordem dos 40%, uma das percentagens mais elevadas do País. Está prevista para esta quinta-feira, dia 9, uma reunião entre a governante e a presidente da autarquia para analisar a crise e procurar soluções.

Créditos: Fotoluz Jorge Amaral Ferreira/Facebook