A audição parlamentar de Alexandre Costa, diretor-geral da NTGroup, deixou uma certeza e várias perguntas por responder. A empresa portuguesa trabalhou durante anos para a Fincantieri, promoveu em Portugal a solução italiana das fragatas e acabou afastada quando o negócio entrou na fase decisiva — precisamente o afastamento que o 24Horas já tinha revelado em agosto.
A NTGroup não tinha qualquer contrato com o Estado português. Trabalhava para a Fincantieri e é à construtora italiana que reclama uma compensação pelo serviço prestado. Alexandre Costa não confirmou os cerca de 90 milhões de euros noticiados pelo 24Horas, escudando-se numa cláusula de confidencialidade.
E é aqui que começa o problema que Nuno Melo não pode resolver com ameaças de tribunal.
Nos grandes contratos internacionais de Defesa existem representantes, consultores e comissões de sucesso. Nada disso é, por si só, ilegal. Mas Portugal vai pagar cerca de 3,9 mil milhões de euros pelas três fragatas. E quem paga tem o direito de saber exatamente o que está incluído na fatura.
Houve outro intermediário depois do afastamento da NTGroup? Foi paga alguma comissão? A quem? Quanto? E, se havia uma verba destinada a remunerar a empresa portuguesa, o que aconteceu a esse dinheiro?
Não há prova pública de que tenha sido pago um cêntimo a terceiros. Mas também ninguém explicou se o afastamento da NTGroup fez baixar o preço pago por Portugal.
É isso que o ministro da Defesa deveria exigir à Fincantieri. Não, explicações ao 24 Horas, mas explicações ao país. Porque num negócio de quase quatro mil milhões, o silêncio não elimina dúvidas. Multiplica-as.

















