Muitos professores continuam a corrigir exames nacionais do ensino secundário, esta quinta-feira, dia 16, apesar de o prazo oficial para concluir as classificações ter terminado à meia-noite.
A porta-voz da Missão Escola Pública, Cristina Mota, revela que alguns docentes receberam novos itens para avaliar durante a noite de quarta-feira (15). Num dos casos comunicados ao movimento, um professor recebeu 70 respostas para corrigir por volta das 21:00, tornando impossível terminar a tarefa dentro do prazo estabelecido.
"O processo não ficou concluído à meia-noite", garantiu a responsável, indicando que os relatos dizem respeito sobretudo às disciplinas de Português e Matemática. Alguns professores voltaram também a encontrar problemas já identificados anteriormente, como folhas de continuação em falta ou documentos cuja caligrafia não correspondia ao resto da prova.
Cristina Mota defende, contudo, que o essencial é garantir a qualidade da avaliação, e não cumprir um prazo a qualquer custo. "Não deve existir uma guilhotina sobre a cabeça de Fernando Alexandre. A classificação tem de ser feita com todo o rigor."
Na quarta-feira de manhã, recorde-se, o ministro da Educação afirmou que 99% das respostas já estavam avaliadas e garantiu que todas as classificações seriam divulgadas na sexta-feira (17) "com rigor e transparência". A Missão Escola Pública admite, porém, que algumas pautas possam não incluir todas as notas.
O MetaPROF confirmou também ter recebido testemunhos de docentes convocados de emergência para classificar provas. O movimento está agora a recolher relatos de alunos e famílias sobre a ansiedade e os efeitos provocados pelos sucessivos problemas no processo.
Em comunicado, o MetaPROF rejeitou ainda as declarações do primeiro-ministro, Luís Montenegro, que apontou para alguma resistência dos professores à digitalização. "Os docentes não recusam a tecnologia. Contestam o caos dos procedimentos, a injustiça pedagógica e a falta de rigor técnico que marcaram este processo", respondeu o movimento.
Este foi o primeiro ano em que os exames nacionais do ensino secundário foram corrigidos integralmente em formato digital. Desde o início, o sistema registou falhas técnicas, obrigando o Ministério da Educação a prolongar os prazos inicialmente definidos.

















