A taxa de risco de pobreza em Portugal desceu para 15,4% em 2024, menos 1,2 pontos percentuais do que no ano anterior (16,6%), segundo os resultados do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Apesar da melhoria da média nacional, o indicador agravou-se em três regiões do País: Alentejo, Oeste e Vale do Tejo e Centro.
De acordo com os dados, o Alentejo registou o maior aumento do risco de pobreza, com uma subida de 2,1 pontos percentuais face a 2023. Seguem-se o Oeste e Vale do Tejo, com um agravamento de 1,2 pontos, e a região Centro, onde a taxa aumentou um ponto percentual.
A situação continua a ser particularmente grave entre a população desempregada, grupo em que 42,6% das pessoas se encontravam em risco de pobreza. Ainda assim, o fenómeno também afeta quem tem emprego: 8,6% dos trabalhadores permaneciam em situação de pobreza, evidenciando que ter um salário não garante, por si só, um rendimento suficiente para evitar situações de carência.
Os dados integram o Anuário Estatístico 2025, também divulgado pelo INE, que traça um retrato das condições de vida das famílias portuguesas. Em 2024, a despesa anual média por agregado familiar ascendeu a 23.900 euros, sendo a habitação, água, eletricidade, gás e outros combustíveis a principal rubrica de despesa. Estes encargos representaram, em média, 9.390 euros por família, o equivalente a 39% do total.
A alimentação e bebidas não alcoólicas constituíram a segunda maior despesa, com uma média anual de 3.091 euros, seguindo-se os transportes (2.888 euros) e os gastos com restaurantes e hotéis (2.046 euros).
Na área da saúde, o retrato também revela desafios. Mais de metade da população com 18 ou mais anos (57,1%) apresentava excesso de peso ou obesidade. A obesidade afetava 17,4% dos adultos, com maior incidência entre as mulheres (19,5%) do que entre os homens (15,2%).
Entre os problemas de saúde mais frequentes destacam-se as dores lombares ou outras patologias crónicas nas costas, referidas por 31,7% das pessoas com 15 ou mais anos. Seguem-se a hipertensão arterial (25,6%), o colesterol elevado (23,8%) e as dores cervicais ou outros problemas crónicos no pescoço (21,6%).
O anuário evidencia ainda alterações demográficas significativas. Em 2024, a população residente ultrapassou pela primeira vez os 11,4 milhões de habitantes. Contudo, este crescimento populacional não se refletiu no número de estudantes. Apesar de Portugal ter ganho cerca de 866 mil habitantes nos últimos 11 anos, o total de alunos inscritos no ensino obrigatório e superior diminuiu em cerca de 300 mil, passando de 2,3 milhões no ano letivo de 2010/2011 para 2,048 milhões em 2023/2024.

















