Israel prepara novas operações militares em Gaza, enquanto mantém intervenções ou confrontos em seis países: Irão, Líbano, Síria, Iraque, Iémen e Qatar.

Esta multiplicação de frentes está a transformar a guerra numa presença permanente na sociedade israelita e a alterar a relação entre segurança, política e vida quotidiana. Uma parte crescente da população aceita as operações como necessárias para neutralizar ameaças externas. Outra teme que o país esteja preso num ciclo militar sem objetivo político definido. O recurso frequente a ataques aéreos, ações clandestinas e execuções seletivas tornou menos visíveis as fronteiras entre guerra aberta e operações de segurança.

O Governo de Benjamin Netanyahu argumenta que Israel não pode esperar que os inimigos se reorganizem. Os críticos acusam-no de prolongar os conflitos para garantir a sobrevivência da coligação governamental e evitar decisões sobre Gaza e o futuro dos palestinianos. A expansão geográfica aumenta o risco de erro de cálculo e de confronto direto com potências regionais.

Para as famílias dos reféns e para os reservistas convocados sucessivamente, a sensação dominante é a de uma guerra sem fim claramente identificável.