Roxana Berenice Guzmán Ramírez, diretora do portal de notícias Pulso Informativo del Sureste, foi sequestrada na madrugada de terça-feira, 2, na cidade de Nanchital, no estado de Veracruz, México. Tinha regressado a Veracruz, em janeiro, e fundado o Pulso Informativo del Sureste, um meio digital que cresceu rapidamente. Três dias depois do rapto, o paradeiro da jornalista continua desconhecido.

Por volta das 06:00 da manhã, homens armados chegaram à casa de Guzmán Ramírez. Vestidos de negro e encapuzados, destruíram a porta principal com uma marreta e partiram vidros para entrar à força. Pelo menos um dos agressores exibia uma arma de fogo. Na gravação ouve-se uma pessoa advertir que havia um bebé dentro da casa, enquanto os homens armados continuavam a destruir a porta . A jornalista filmou parte do assalto com o telemóvel. As imagens viralizaram nas redes sociais e chocaram o país.

A Fiscalía General do Estado de Veracruz abriu um processo de investigação por privação de liberdade através da Fiscalía Regional de Coatzacoalcos, com a participação da Secretaria de Segurança Pública, da Marinha, da Guarda Nacional e da Polícia Ministerial. Até ao momento, não há detidos nem foram reveladas linhas de investigação.

O caso tem antecedentes marcados pela violência. Em março de 2017, o marido da jornalista foi assassinado a tiro em Nanchital, a poucos metros de onde ela se encontrava. Após o crime, a comunicadora tomou a decisão de abandonar Veracruz. Regressou anos depois e fundou o Pulso Informativo del Sureste, que cobria desaparecimentos, acidentes, manifestações e acontecimentos da vida comunitária local.

A organização Article 19 exigiu às autoridades que a atividade jornalística de Roxana seja tratada como linha prioritária de investigação, um ponto que, alertam os especialistas, é frequentemente ignorado pelos procuradores. A organização pediu ainda a coordenação entre a Fiscalía General do Estado de Veracruz, o governo estadual e a Comissão Estadual de Busca para localizar a jornalista com vida.

Veracruz é o estado mexicano com maior número de jornalistas assassinados desde o ano 2000. Os factos ocorreram no município de Nanchital de Lázaro Cárdenas del Río, ao sudeste de Veracruz , uma região descrita por especialistas como zona de silêncio e corredor de tráfico de droga, combustível roubado e migrantes, onde os grandes projectos jornalísticos raramente sobrevivem.