O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, de 63 anos, anunciou esta segunda-feira, dia 22, a sua demissão do cargo, numa declaração feita à porta de 10 Downing Street, onde abordou também o futuro do Partido Trabalhista. A saída ocorre a poucas semanas de completar dois anos à frente do governo.
Starmer garantiu, no entanto, que se manterá em funções até à escolha do seu sucessor, sem avançar datas concretas para a transição: "Vou permanecer no cargo de primeiro-ministro até que a disputa esteja concluída e farei tudo o que estiver ao meu alcance para garantir uma transição de poder ordenada."
No discurso, o líder demissionário sublinhou que herdou um partido "politicamente, financeiramente e moralmente falido", acrescentando que, ao longo do seu mandato, ouviu repetidamente que a formação política estava "acabada": Ainda assim, afirmou sentir orgulho na renovação interna promovida sob a sua liderança, embora tenha admitido dúvidas sobre a sua continuidade no cargo: "Ouvi a resposta do meu partido e aceito-a de bom grado."
Starmer acrescentou que pretende agora dedicar mais tempo à família, referindo o desejo de "ser um melhor pai e melhor marido". Recorde-se que vários deputados trabalhistas tinham vindo a defender publicamente a sua saída, apelando a uma transição interna e a "um novo caminho para o Reino Unido".
O primeiro-ministro cessante indicou ainda que irá solicitar ao Comité Executivo Nacional do Partido Trabalhista a definição de um calendário para a sucessão, prevendo a abertura de candidaturas a 9 de julho e a conclusão do processo antes do período de férias de verão. "É por isso que vou demitir-me do cargo de líder do Partido Trabalhista. Falei com Sua Majestade o Rei, esta manhã, para o informar da minha decisão."
A saída de Starmer surge num contexto de crescente pressão interna, intensificada após o regresso ao Parlamento de Andy Burnham (56), antigo ministro e presidente da câmara da Grande Manchester, que venceu a eleição intercalar de Makerfield, com 55% dos votos. Segundo o jornal The Guardian, este resultado reforçou o debate interno sobre a liderança.
Nas últimas semanas, vários deputados trabalhistas têm defendido publicamente a necessidade de mudança e apoiado uma transição de liderança, com apelos a "um novo caminho para o Reino Unido".
De acordo com o calendário político delineado, a Câmara dos Comuns terá início a 16 de julho. Caso não surjam candidatos alternativos, cenário considerado cada vez mais provável, apesar da intenção anteriormente manifestada por Wes Streeting, Andy Burnham poderá assumir a liderança ainda em meados do próximo mês. Se houver disputa interna, o novo líder deverá tomar posse até ao final de agosto, antes do regresso do parlamento, em 1 de setembro.
















