Fernando Medina, de 53 anos, voltou a marcar uma posição sobre a atuação do Tribunal de Contas (TdC), acusando o organismo de ultrapassar as suas competências e de interferir em decisões políticas. O antigo ministro das Finanças aproveitou ainda para elogiar a reforma da lei do TdC apresentada pelo Governo de Luís Montenegro.

Durante uma audição no Parlamento, Medina afirmou que o Tribunal de Contas "não tem o direito de andar a fazer política em favor do poder próprio dos seus membros", considerando que a reação dos responsáveis do organismo à proposta de revisão da legislação demonstra que o atual modelo de funcionamento precisa de ser alterado.

O ex-governante defendeu que, ao longo dos anos, a lei foi sendo construída de forma a atribuir ao Tribunal de Contas poderes que, na sua opinião, vão muito além da fiscalização da despesa pública. Para sustentar as críticas, Fernando Medina apontou vários exemplos de decisões do TdC que, segundo disse, acabaram por interferir diretamente em opções políticas tomadas por diferentes entidades públicas.

Apesar das críticas ao tribunal, o antigo ministro fez questão de elogiar a proposta apresentada pelo Executivo, classificando-a como "absolutamente necessária" e considerando que se trata de uma reforma "bem feita", capaz de corrigir problemas do atual sistema sem colocar em causa a defesa do interesse público.